Convite para Jantar com o Camarada Stalin, de Ricardo Júnior Alves, 10 min, 16mm, 2007
Nem sempre é possível compreender com profundidade um filme. Nem por isso, arrisco-me a cair naquela balela (balela?) de que na arte a compreensão não é necessária. É que mesmo que o objeto em si não seja compreensível, muitas vezes está imerso em um discurso maior, que dá a ele alguma camada de leitura. Quando Duchamp coloca seu urinol no museu, quando Dali prega o onírico, quando Andy Warhol pinta suas latas de sopa, há neles camadas e camadas de leitura que explicitam outro lado do “não inteligível”.
Convite para Jantar com o Camarada Stalin lida com esse risco. Curta-metragem de compreensão difícil, o filme de Ricardo Júnior Alves, mostra a rotina de duas idosas no dia que antevém a noite de um importante jantar. É a espera desse jantar que motiva e movimenta suas personagens.
Convite para Jantar trabalha com delicadeza e, em muitos momentos, com algum surrealismo, o cotidiano dessas mulheres. Como é praxe em filmes que abordam a velhice, o tema da morte e da solidão está lá, embrenhado entre os fotogramas. O quase clichê do tema é abolido pela forma escolhida, um fragmento do dias dessas mulheres, da sua psique.
Talvez por sugestão do título, o curta-metragem lembra um certo cinema do leste europeu, com seus planos duros, seus silêncios constrangedores. Há nele, também, um olhar seco, tão árido como aquela espera pro jantar.
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4 February, 2008| 9:09 pm
vi o filme do ricardo em brasilia faturou uns candanguinhos de melhor curta e roteiro alguns diziam que o cara era atécomunista e tudo, mas a simplicidade da fita me comoveu 2 velhinhas q pode ser viuvas da praça de maio(ricardo mora em buenos aires)ou viuvas de stalin na ex urss a espera de um reconhecimento q seja por anos de trabalhos ao partido, um adeus lenine saudando o premier stalin