Sensações Contrárias, de Matheus Rocha, Amadeu Alban, Jorge Alencar, 5 min, DV, 2007
Os filmes que dialogam com outras formas de expressão (teatro, dança, poesia etc.) correm o risco de cair no canhestro. A linguagem cinematográfica tem sua gramática tão bem construída que deixa pouco espaço para experimentações do tipo. Isso porque o cinema geralmente busca (ou aceita) o que é tido como naturalista. Radicalizar essa estrutura é difícil e muitas vezes soa de forma monótona.
Encantadores são os trabalhos, porém, que conseguem sair dessa “prisão”. Sensações Contrárias é um desses. É um filme dança, feito com verba específica para filmes que experimentassem a união da dança com o cinema.
Sensações Contrárias é encantador enquanto uma boa resolução desse diálogo fílmico com a dança. Mas é assustador, também. Aterrador. Os atores/bailarinos buscam, no filme, uma linguagem corporal que ressalta um tom decrépito. Seus personagens parecem imersos num mundo que só um olhar íntimo poderia desvendar o que tem ali de pobre, obsceno até.
Não sendo um filme de enredo, só é possível analisá-lo enquanto sensação e está no incômodo e no mal estar, o que o curta-metragem almeja.
Sensações Contrárias faz com a dança o mesmo que Lucrecia Martel faz em seu O Pântano. Revira o estômago. Faz arte.
Quem quiser, pode assistir ao vídeo na web.
3 November, 2007| 12:24 pm
Que filme ótimo!
Deu piripaque na galera! Brilhante.