Mercúrio, de Sávio Leite, 4 min, miniDV, 2007
Confesso que consigo falar pouco de Mercúrio. Sessão de curta-metragem é isso, né? Você acaba de sair da serenidade de Outubro e sua trilha sonora no pianinho, pra entrar na loucura da animação com “câmera na mão” de Sávio Leite, com uma trilha sonora, digamos, ribombante (ou só bombante mesmo?)
Mercúrio é um filme frenético, desde o primeiro segundo. É um filme essencialmente fragmentado, esse sim: cada frame da animação foge do enquadramento do outro, dando essa impressão, nauseante em alguns momentos, de uma animação feita com a câmera na mão mesmo. Há também inúmeras quebras de luz. Há ainda uma falta de ritmo no todo, que pouco se permite uma absorção, fora uma série de supostas sensações que se pretendem passar. Esse fragmentos de sensações, desesperos, idéias, sonhos e pesadelos, típicas influências de David Lynch, tendem muito ser realizadas muito fora do alcance que Lynch atinge em seus filmes. Já vi uma série de curtas que trabalham signos, repetição, mistério e pesadelo de maneira talvez ingênua, talvez preguiçosa. Creio até que eu mesmo já tenha sofrido isso lá nos idos anos de 2005 com Os Memorialistas. Essa fronteira entre o sonho e realidade é mais difícil de se explorar do que parece. Mas sobre a (má) influência de Lynch sobre nossa geração de curta-metragistas falo no texto sobre Pela Metade. Aqui, como disse, falo pouco.
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