Alphaville 2007 D.C., de Paulinho Caruso, 16min, 35mm, 2007
A chacota como crítica social é parceira típica da política brasileira. Acho que não há sequer um mal social que não seja debochado de alguma maneira por aqui. No cinema, o tal Cinema Marginal firmou essa maneira de fazer filmes. Godard fez muito disso também, inclusive no próprio Alphaville, de 1965. Paulinho Caruso pega essas duas premissas e junta tudo no típico processo modernista da antropofagia. Vê-se, portanto, que Alphaville 2007 D.C. é um “filme nacional” mesmo.
Contando a história desse justiceiro à moda antiga, aquele que revoluciona com as próprias mãos, Alphaville 2007 D.C. tem momentos sublimes, planos belíssimos, composições incríveis. Ainda assim, parece faltar algo. Fiquei me perguntando várias vezes o que seria e encontrei pouco. Uma das coisas seria a trilha sonora, fora de tom com o resto do filme. A trilha ressalta tanto o lado de chacota do filme que atrapalha em momentos onde precisaríamos de mais atenção. Penso também que a mensagem do filme fica solta, ou é uma mensagem muito velha mesmo. Coisas como “esse país de merda”, ou “isso aqui não tem jeito” são óbvias demais pra quem mora aqui há alguns anos. Pode até ter graça rir da desgraça, afinal é pra isso que serve, né? Mas incomoda o uso de contradições tão aparentes como mostrar uma favela com uma cartela “dinheiro não importa?”.
A apresentação da personagem à la Sergio Leone, o incrível achado do narrador “alphavilleano”, a fotografia primorosa, as ótimas atuações, inclusive de Sheilla Melo e Datena, estão dentre os acertos do filme. A montagem, feita a 5 mãos, consegue ser uma das melhores do festival até agora. A sequência onde o Justiceiro mostra ao Burguês cenas do mundo é sublime. E se um filme de 16 minutos produz um momento sublime, já valeu toda a sessão.
Veja a Cobertura Completa do Curta Cinema 2007
12 Fevereiro, 2008| 1:41 pm
a situação politica social e economica dessa nossa “BRAZUNDANGA”continua dando oq falar e fazer filmes e isso logo se dando em são paulo onde não tem mais pra onde crescer alphaville 2007DC mostra “essa coisa meio não sei oq” comum nas megalopolis do velho “tercero mondo”
12 Fevereiro, 2008| 1:55 pm
as varias versões de acossado e bandido da luz vermelha surgem e ressurgem no contexto da globalização alphaville de paulinho caruso vem a luz e insiste em denunciar a hipocrisia das elites endinheiradas q não arredam o pé.