Saliva, de Esmir Filho, 15min, 35mm, 2007

Esmir Filho é aquele cineasta do Tapa na Pantera, vídeo de Youtube que fez muito, mas muito sucesso mesmo. Saliva, seu último curta, nada tem a ver com a piada anterior, muito embora tenha um forte apelo adolescente.
Em Saliva, a história de uma menina de 12 anos e a relação dela entre o desejo e o nojo do primeiro beijo. É um nojo da saliva, na verdade, da troca de fluídos.
Esmir Filho mergulha nesse universo e faz, de forma muito bem sacada, um filme úmido. Em Saliva, tudo está mergulhado, molhado de desejo. É que o curta procura trabalhar em sua palheta, em seu pictórico, os anseios da personagem.
Mas muito embora Esmir Filho mantenha um trabalho bem sucedido na arquitetura imagética do filme, Saliva traz diálogos pueris demais para o peso de seu labor estético. Há um abismo profundo entre a força da imagem e o didatismo das falas das personagens.
Saliva parece dialogar bem de perto com o universo fílmico de Sophia Coppola, com sua personagem deslocada, na necessidade e dor de querer pertencer a algo. No caso do curta, na ansiedade da garota de querer entrar no grupo das meninas que já beijaram.
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