A Peste da Janice, de Rafael Figueiredo, 15 min, 35mm, 2007

É impossível falar de um curta-metragem sem levar em consideração a sessão em que ele estava. Em sessões de longas há uma viagem única, um processo único, sem saída, sem quebras, com começo e fim. Numa sessão de curtas, no caso com 5 deles, é complicado avaliar qualquer coisa separada do resto. Enquanto eu via A Peste de Janice, não podia deixar de reparar como, ao menos na primeira impressão que tive (sendo esta a primeira sessão do Curta Cinema que fui este ano), a curadoria preza o clássico-narrativo, como se atém à maneiras já conhecidas de narrativa. Ou ainda, quando não, como preza filmes pop, muitas vezes rasos demais (caso de O Lobinho Nunca Mente).
O universo do filme lembra um pouco o Tori, de Andréa Midori Simão e Quelany Vicente, vencedor do grande prêmio do ano passado. Mas onde Tori brilha, A Peste de Janice peca. A história é batida: uma menina que se sente isolada na sua escola, debochada pelas outras e afastada das brincadeiras. No caso, suas colegas inventam uma “peste”, desculpa para correrem e se tocarem “passando a peste adiante”. Ainda com as atuações pouco sinceras das crianças (o que era de se esperar e, ainda, passa sem problemas) e as atuações forçadas dos adultos (que, ao contrário, saltam aos olhos) a história se desenvolve de maneira óbvia, seguindo todo o manual de clichês do gênero. Um deles talvez até venha do livro (ou conto?) adaptado pelo filme: se inicia em um momento que só retornará mais tarde, depois de ter explicado tudo que parecia estranho lá no começo. Uma pena o cinema de ficção de curta-metragem ousar tão pouco com uma geração de cineastas que tem a chance de fazer quantos filmes quiser (em digital, claro).
31 October, 2007| 8:45 am
Na verdade, Fernando, o Curta Cinema tá seguindo a linha padrão que é agrupar filmes similares numa mesma sessão. No domingo vi uma sessão que tinha vários filimes estranhos, bem experimentais.