Hana (Hana yori mo naho), de Hirokazu Kore-eda, 2006, Japão. Mostra Panorama.
Os japoneses possuem longa tradição de produzir filmes voltados para o público infantil – Yoji Yamada que o diga. Hirokazu Kore-eda tenta se aventurar pelo gênero em Hana, a respeito do jovem samurai que deve vingar a morte desonrosa do pai, mas fracassa retumbantemente. Hana – se não a pior, pelo menos a mais decepcionante obra em exibição no Festival do Rio – busca a comédia, sem jamais ser engraçado ou mesmo gracioso, e coleciona citações a esmo de outros filmes. O cortiço em que o herói vive remete tanto ao de Dodeskaden, de Akira Kurosawa, quanto ao de Feios, Sujos e Malvados, de Ettore Scola: símbolo das mudanças pelas quais atravessa a sociedade do shogunato que, em tempos de paz, afunda na pobreza e gera legião de desfavorecidos.
O cinesta italiano, de fato, mostra-se a principal influência de Kore-eda em Hana. Como nos filmes de Scola – O Jantar, Concorrência Desleal, A Família, além do já citado Feios, Sujos e Malvados -, há a pequena comunidade auto-suficiente e os relacionamentos internos em contraposição aos acontecimentos do exterior, o humor leve e por vezes melancólico que toma os personagens, a vitória dos bons sentimentos (amizade, amor, honra) e a crença de que eles são capazes de alterar a realidade para melhor. No entanto, ao contrário de Etore Scola, que ainda consegue alguma sinceridade mas emoções e nos contatos humanos que filma – embora com a mise en scéne cada vez mais pesada e datada -, Kore-eda não se livra de soar apenas piegas e ridículo a maior parte do tempo.
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