PQD, de Guilherme Coelho, 2007, Brasil. Competição Documentário.
Para grande parte da população, quartéis são como mosteiros medievais: distantes, intocáveis. Há uma quase total ignorância do que se passa dentro deles, sobre quem são as pessoas que vivem por ali.
PQD, documentário de Guilherme Coelho, tenta elucidar questões como essas ao acompanhar durante mais de um ano, um grupo de jovens que ingressam no curso para o 25º Batalhão de Infantaria do Exército do Rio de Janeiro. É o curso que dá passaporte para a brigada de pára-quedistas.
Guilherme Coelho, de alguma forma, já havia explorado o tema no filme Fala Tu. No documentário anterior, o diretor procurou observar caminhos de jovens de periferia envolvidos com a cultura hip hop.
Assim, nos dois filmes, o que Guilherme faz é um retrato de uma parcela carente da juventude. O que seus filmes querem entender é como pensam e com o que sonham essas pessoas que, em geral, têm perspectivas tão limitadas.
Ao ingressar no curso, os recrutas ganham R$ 350 por mês. É um emprego para a grande parte deles. Ao longo do ano farão muito treinamento e, o mais importante, terão experiências com saltos de pára-quedas.
É interessante como o filme sabe explorar a experiência do salto para esses jovens. Há um trato até certo ponto simbólico. A maior parte deles nunca haviam nem voado de avião. E já na primeira vez que o fazem, o fazem para dar o salto. É algo de grandioso.
Um outro ponto importante de PQD, é que ele ressalta um pedaço do País que está no esquecimento. Há nas Forças Armadas uma disciplina e um patriotismo que já há muito foram esquecidos.
PQD segue na linha dos filmes de periferia. Mas não mostra nem traficante, nem tiroteio.
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