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À Prova de Morte e Planeta Terror


Por Paulo Ricardo de Almeida

Publicado em 1 de Outubro de 2007

À Prova de Morte (Death Proof), de Quentin Tarantino, 2007, EUA. Mostra Panorama. 

Planeta Terror (Planet Terror), de Robert Rodriguez, 2007, EUA. Mostra Panorama. 

Grindhouses eram as sessões duplas (entrecortadas por trailers) que, nos anos 70, em cinemas vagabundos, exibiam a nata das produções tipo exploitation: filmes de zumbi, gore, kung-fu, thrillers violentos e eróticos, retratos do submundo e da criminalidade – a maioria protagonizados por negros ou mulheres. Quentin Tarantino e Robert Rodriguez cresceram imersos nesta atmosfera de referências e, fãs e cinéfilos, resolveram homenageá-la com o projeto Grindhouse, no qual cada um dirige episódio próprio com a intenção de emular, para o espectador, a sensação de assistir às antigas matinês com obras de baixíssimo orçamento. Infelizmente, o público fora dos EUA não terá a oportunidade de ver a experiência como planejada, já que Planeta Terror e À Prova de Morte chegam separados às salas de exibição. 

À Prova de Morte: buddy movie com garotas. 

Em À Prova de Morte, Quentin Tarantino dá prosseguimento à tentativa de apreender para si os elementos do cinema B norte-americano que o seduziram na infância. Da mesma forma que Cães de Aluguel, À Prova de Morte é um buddy movie – filme de amigos, no caso, com meninas: duas histórias separadas, dois grupos de companheiras que conversam e trocam confidências, até serem ameaçadas por Stuntman Mike, dublê enlouquecido que atira seu carro contra mulheres na estrada. 

Tarantino deixou claro em Pulp Fiction a predileção pelo folhetim cinematográfico barato, trabalhou com Pam Grier – musa do exploitation – em Jackie Brown e reaproveitou o cinema de artes marciais, de vingança e o faroeste em Kill Bill. Em À Prova de Morte, ele intensifica o mergulho formalista nos filmes de gênero, já visto na saga da Noiva: riscos propositais na tela e saltos bruscos na montagem, para dar a impressão de que se está diante de cópia velha, trilha sonora inteiramente extraída de produções da época, uso arbitrário da cor e do preto e branco, cisão na narrativa que altera completamente seu rumo, poder feminino em relação ao macho dominante e opressor.  

Contudo, embora procure se diluir nos gêneros que simula, as marcas de Tarantino continuam definíveis e à mostra – estão lá os diálogos brilhantes, cuja inteligência, ironia e secura se encontram muito além dos de qualquer filme homenageado pelo cineasta; as situações e os acontecimentos insólitos, originais e surpreendentes; e, sobretudo, o trabalho exemplar com o movimento de câmera, desde os travellings velocíssimos sobre o capô do carro de Stuntman Mike, até o longuíssimo plano-seqüência, à mesa da lanchonete, que registra, ágil e fluente, a conversa entre o segundo grupo de amigas. 

Cherry se tornará l�der dos sobreviventes na procura pela Terra Prometida. 

Apesar de formalmente mais pobre, e talvez por este motivo, Planeta Terror se adéqua mais à proposta de Grindhouse que À Prova de Morte. El Wray e Cherry, dois contra o mundo: ex-namorados, homem de passado misterioso e go-go-girl que, juntos com outros tão desfavorecidos quanto eles, lutam contra horda de zumbis fabricada por grupo para-militar que precisa de agente químico para sobreviver, depois de sofrerem a represália do governo americano por terem assassinado Osama Bin-Laden. 

Trama mais inverossímil e divertida, impossível. Robert Rodriguez debocha da política e ataca (com a mesma fúria da música que compôs para o filme) a narrativa com humor de puro nonsense. Ao contrário de Tarantino, os diálogos são grosseiros, curtos, heroicamente empostados e repletos de frases feitas e de chavões; as mulheres – embora fortes – surgem como objetos de desejo e em toda sua volúpia carnal; não há qualquer preocupação com o mínimo de naturalismo; gosma voa tal qual a criança que adora ser nojenta para os pais; e situações absurdas e sem relação lógica entre si acumulam-se ao longo de Planeta Terror. 

Rodriguez brinca e zomba com suas referências, para realizar ele próprio belo exemplar de cinema vagabundo. Enquanto em Sin City a aura de nobreza e seriedade que cercava a adaptação da graphic novel de Frank Miller acabou por sufocá-la, tornando-a pesada e repetitiva, o material descontraído com que o diretor trabalha agora lhe permite injetar graça e beleza em Planeta Terror. Pois é certamente belo assistir aos renegados que, primeiro, transformam-se em comunidade para lutar pela sobrevivência a qual, depois, parte, como no êxodo bíblico, em busca da Terra Prometida.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2007

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3 Commentários sobre 'À Prova de Morte e Planeta Terror'

  1.  
    Cristiano

    11 Dezembro, 2007| 1:58 pm


     

    eu assisti planet terror e é exatamente o q ele esta dizendo, um filme sem pretensão q diverte bastante. parece uma versao atualizada d “a volta dos mortos vivos”, q e um filme super trash mas classico. estou louco pra ver deathproof q tb promete!

  2.  
    godo

    4 Fevereiro, 2008| 8:18 pm


     

    eu sou fã das historias de tarantino gosto de seu mal gosto, isso q e cinema de invenção filmes tem q ser assim fluentes e furiosos fora disso es empulhação e modorra

  3.  
    DAniel SakÊ

    8 Junho, 2008| 3:30 am


     

    concordo com tudo.

    mas em relação ao Sin city, tenho a dizer que a culpa é do Frank Miller que é considerado um grande escritor de quadrinhos mas não faz só maravilhas. Sin city é um quadrinho meramente visual.

    O roteiro dele não segura um filme.

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