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Debate marca lançamento de livro


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Publicado em 29 de Setembro de 2007

cincomaiscinco_p.jpgDois jornalistas e um cineasta analisam filmes brasileiros realizados a partir do período da retomada (1995) em Cinco mais Cinco. O lançamento do livro aconteceu na última terça (dia 25/9) dentro da programação do Festival do Rio, no Centro Cultural da Justiça Federal. Os autores Luiz Carlos Merten (Estadão), Rodrigo Fonseca (O Globo), Cacá Diegues e Marcos Didonet, organizador da obra, falaram no debate sobre escolha dos filmes, a crise e as novidades no cinema brasileiro, e o impacto das novas tecnologias, com foco nas convergências das mídias.

A obra reúne e discute os dez melhores filmes brasileiros sob o ponto de vista da crítica e do público. Carandiru, Cidade de Deus, Edifício Master, Lavoura Arcaica, Lisbela e o Prisioneiro, O Invasor, Se Eu Fosse Você, Terra Estrangeira e 2 Filhos de Francisco. São 9 filmes porque Cidade de Deus aparece nas duas categorias.

A escolha dos filmes campeões de crítica foi feita pela Federação Internacional de Críticos (Fipresci) e pela Associação dos Críticos do Rio de Janeiro, em parceria com a Associação dos Roteiristas Brasileiros e com a Associação Brasileira de Cinematografia.

Antes da abertura do debate, no auditório do Centro Cultural da Justiça Federal, Merten disse à Revista Moviola que os cineastas brasileiros vivem um momento difícil no setor de captação de recursos. Ele acredita que ao invés de se produzir apenas um ou dois filmes que obtém sucesso de bilheteria por ano, pode-se se chegar a dez. Embora exista uma crise de público, Merten afirma que há uma grande expectativa desse quadro ser revertido com a estréia nacional de Tropa de Elite, que, mesmo com a polêmica de ser ou não fascista, é ovacionado no Rio de Janeiro.

Quando perguntei se havia algum filme que Merten gostaria de ter analisado, mas que não entrou na lista do Cinco mais Cinco, ele prontamente respondeu: “A Máquina, de João Falcão. Queria que ele tivesse sido sucesso de público, mas não foi”.

Já Rodrigo Fonseca, que analisa os 5 mais da crítica, conta que a seleção de filmes para entrar num livro é sempre uma escolha de Sofia. “Eu queria ter falado de Amarelo Manga, A Festa de Margarette, O Príncipe e Separações, mas eles não entraram. Os filmes que estão no livro são importantes porque sintetizam desejos”.

O livro é uma porta de entrada para acompanhar a trajetória dos 9 filmes. Ele pode reaquecer a vontade de fazer cinema no Brasil, acredita Rodrigo. “Fizemos uma discussão teórica e a metodologia para falar dos filmes é a mesma dos críticos e pesquisadores. A diferença de nossa análise é que ela tem mais liberdade”, acrescenta.

Marcos Didonet além de lançar o livro, estréia com a sua editora Legere. “A nossa idéia era organizar um livro que atendesse ao nicho do audiovisual e aos que se interessam por cinema brasileiro”, informou. Para ele, faltam obras com uma linguagem mais informal tanto para o público leigo quanto para os cinéfilos e estudantes. “Cinco mais Cinco ajuda a entender como se faz cinema no Brasil e como se pode melhorar uma obra”, sintetiza.

Além da análise dos autores, o livro traz curiosidades, métodos e entrevistas com equipes envolvidas nas diversas fases da realização cinematográfica. Segundo Didenot, os autores buscam situar o cinema na história recente e fazem uma discussão política, sociológica e técnica das obras”.

Ao abrir o debate, Didonet afirmou que o cinema brasileiro está consolidado e intenso, embora siga carente de produtos e debates sobre a produção, distribuição e exibição. O debate retomou questões suscitadas no livro como: o que faz um filme fazer sucesso? Por que alguns agradam o público mas desagradam a crítica especializada? São questões para as quais não se tem uma resposta na ponta da língua, mas que renderam uma boa discussão no debate.

Um ponto levantado por todos no debate é que não se deve esquecer a experiência social do cinema. Cacá Diegues, que defende que o cinema brasileiro não é um gênero, ensina que devemos nos preparar para ver o cinema da periferia que está aí. “Ele surge com as novas tecnologias. Temos muitos curtas produzidos pela própria comunidade”, afirma. Para o cineasta, a entrada da telefonia como suporte para o audiovisual vai provocar mudanças no cenário atual.

Diegues pergunta o que é ideal para os celulares. Ele mesmo responde: planos próximos, câmera sem movimento, música baixa e poucos personagens em cena. Com essas regras, estão inventado o cinema mudo de novo. Merten concorda com Cacá. O jornalista escreveu, após o debate, no seu blog que a vanguarda, o extremo desenvolvimento tecnológico, está fazendo o cinema andar para trás, voltando à retaguarda do cinema mudo. Merten diz que mesmo com o advento do celular como suporte, a sala convencional de cinema não deixará de existir.

“Com os filmes da retomada é possível descobrir uma maneira diferente de olhar o país e a sociedade. São 14 anos de retomada. Analisamos 5 filmes nas duas categorias propostas pelo livro. Eu não creio que existam só cinco melhores. Claro que temos mais que isso”, defende Diegues. “De 1995 até hoje é um dos períodos mais ricos de toda história do nosso cinema. Temos diversidade, ausência de fórmula, muitas tendências e opções, além do surgimento de jovens cineastas. Nos últimos 14 anos houve a estréia de 216 jovens. A Lei Rouanet é responsável por isso”, concluiu.

O segundo livro da coleção Cinco mais Cinco sairá em 2008. Didenot adianta que a metodologia da escolha dos filmes será a mesma e serão escolhidos as produções relevantes de 2007 para a segunda edição.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2007



1 Commentário sobre 'Debate marca lançamento de livro'

  1.  

    23 Novembro, 2012| 8:40 pm


     

    Yo no he trabajado en muhcas empresas, pero por lo que he visto hasta ahora, los que me1s trabajan son los que lo necesitan.O bien son empleados de poco nivel de estudios (como los que mueven la piedra en una cantera) y curran horas extra para doblar su sueldo, o bien son los duef1os de una empresa y tienen que trabajar ellos para que la empresa no se vaya al garete.Pero si son jefes medios (es decir, que tienen otros jefes por encima y subalternos por debajo), entonces que trabajen los subalternos si quieren, que sale mais caro contratar a otra persona que pagar horas extras de un turno doble.Afan con todo, ninguna de las dos opciones me parece bien. El tiempo de una persona hay que pagárselo, porque es lo que hace, venderlo. En lugar de pasarlo con su familia o consigo mismo, lo este1 vendiendo a la empresa, y eso tiene que tener una compensación.

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