Síndromes e um Século (Sang Sattawat), de Apichatpong Weerasethakul, 2006, Tailândia - Mostra Panorama
Foi a segunda vez que assisti a esse filme de Apichatpong. E me impressionei de novo. Se o cinema contemporâneo se importa mais no modo de narrar algo do que exatamente na história que narra (vejam, não disse que a história não importa, ao contrário), Apichatpong consegue unir ambas as coisas.
Síndromes e um Século (aliás, ótimo título) é um filme bucólico. Do começo ao fim. A leveza que o filme passa não se quebra em nenhum momento, nem mesmo na seqüência do dentista na segunda parte. Na verdade, se quebra no excelente plano em que, enquanto a câmera se afasta da mesa onde uma senhora tenta curar um garoto (também na segunda parte), outra senhora fita diretamente a câmera. O desconforto que isso causa passa logo depois, ela volta olhar para o garoto e novamente estamos livres para observar.
A Direção de Fotografia de Sayombhu Mukdeeprom (que fotografou Eternamente Sua e Mysterious Objects at Noon), a Montagem de Lee Chatametikool (responsável também pela brilhante montagem de Mal dos Trópicos) e a Direção de Arte de Akekarat Homlaor (que fez outros 3 filmes com o diretor) contribuem de maneira absoluta para a leveza e delicadeza de Síndromes e um Século. Apichatpong enche o filme de seqüência belíssimas, de uma naturalidade encantadora, de cenas desnecessárias mas muito importantes para a sensação de fluxo de vida, de latência de vida. Latência essa que depois será toda sugada para dentro de um aparelho e transportada para outra dimensão, espiritual talvez. Livres das preocupações, o espectador em catarse pode simplesmente abstrair de todas as sensações intelectuais, de todas as relações banais com o mundo, que se dane o filme, eu quero é dançar.
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Leia o ensaio sobre Síndromes e um Século no Rolo 2 da Revista Moviola
